Mr. Kalashnikov lançado em versão pocket

25/10/2009 · 5 Comentários

A Editora Dois Pontos acaba de confirmar o lançamento para este mês de novembro da versão pocket de Mr. Kalashnikov, de Mohammed Ibn Baruk. O livro teve a primeira tradução para o português em abril deste ano. A novidade é o prefácio do estudioso de literatura árabe contemporânea Mário Oiraiva.

Trecho do prefácio:

“Mr. Kalashnikov dialoga com a tradição erótica da literatura árabe clássica, pode ser lido como uma releitura do Jardim Perfumado, de Muhammad ibn Muhammad al-Nafzawi, escrito entre 1410 e 1434.”

Para saber mais sobre o livro, clique no link abaixo: 

http://livrosquevoceprecisaler.wordpress.com/2009/04/13/mr-kalashnikov/

→ 5 ComentáriosCategorias: Uncategorized

Os objetos calados da casa

12/10/2009 · 7 Comentários

capa-nao-encontrada[1]

Henry Tsuan

Os objetos calados da casa – 2009 – Verlag Editora.

Taiwan

(1974)

Tsuan é reconhecido como o cronista definitivo da China pós-moderna, embora nascido em Taiwan. Toda sua obra é inspirada na pujança econômica da última década, recebendo elogio dos seus pares europeus desde A mais breve canção da terra, volume de contos de 1998. O seu segundo romance é este Os objetos calados da casa. Num festim de prosa caudalosa o autor conta a história do jovem imigrante filipino Calbayog, um assassino que se torna diretor de uma multinacional. A narrativa em segunda pessoa funciona como uma espécie de emboscada, atraindo o leitor (e Calbayog) para uma armadilha cada vez mais obscura. A iminência de um novo assassinato está sempre presente. Tsuan desenvolveu uma técnica que dialoga e emula os textos clássicos chineses, sempre subordinados à historiografia. Aqui, em Os objetos calados da casa, os fatos históricos mudam à mercê da vontade das grandes empresas. O que não muda nunca é o medo da morte.

Trechos:

“Venha, Calbayog, gostaria que você chegasse um pouco mais perto para lhe contar mais esta história. Não, não é uma arma que tenho aqui, não, somente um presente para você.”  (Pág 45)

“Mas deixe-me contar-lhe mais sobre você emsmo, sobre esta organização secreta a que pertence. Talvez um pouco mais sobre seus próprios pais.” (Pág. 70)

“Quando partir estarei exausto, deite-se um pouco, descansemos juntos, hoje é um bom dia para morrermos.” (Pág .115)

Tradução: Alfredo Toracci

→ 7 ComentáriosCategorias: Uncategorized

O sonho dos homens acordados

29/09/2009 · 4 Comentários

CAPA NAO ENCONTRADA

Sakis Angelopoulos

O sonho dos homens acordados – 2009 – Hécuba Editora

Grécia

(1964)

Sakis Angelopoulos propôs a reescritura ou a releitura de alguns clássicos universais no seu livro de contos O sonho dos homens acordados, agora em edição brasileira, lançada pela Hécuba Editora. A obra alcançou repercussão na Europa há 3 anos por republicar textos clássicos dentro de um contexto inteiramente diferente. Na primeira e melhor das narrativas, por exemplo, Angelopoulos escolhe uma passagem de Os cadernos de Malte Laurids Brigge e a rebatiza com o título de 11 de setembro (data que consta no original de Rilke), imprimindo uma gama nova de significados ao texto. O mesmo acontece com trechos inteiros de Poe, Calvino, Wilde, Joyce, Thomas Mann e o brasileiro Monteiro Lobato. Sakis parece querer, em última análise, reescrever o conto Pierre Menard, autor de Quixote, de Borges. O sonho dos homens acordados surgiu como uma coletânea dos melhores textos publicados no blog do autor e hoje é realidade para o leitor brasileiro comum. Destaque para a bela edição da Hécuba com capa dura e formato diferenciado.

Trecho do conto 11 de setembro:

“É para cá, então, que as pessoas vêm para viver; eu diria, antes, que aqui se morre. Estive fora. Eis o que vi: hospitais. Vi um homem que cambaleou e caiu. As pessoas se aglomeram em torno dele, o que me poupou do resto. Vi uma mulher grávida. Ela se arrastava pesadamente ao longo de um muro alto e quente, que apalpava vez por outra como que para se convencer que ainda estava ali. Sim, ainda estava…” (Pág. 16)

Tradução: Vários.

→ 4 ComentáriosCategorias: Uncategorized

Manual de escrita sórdida

25/09/2009 · 2 Comentários

O editor deste bolg aproveitou o período de férias para garimpar novidades em Portugal. Por lá sabe-se que a editora Irmãos Rocha vai publicar o último livro escrito pelo americano James Edwin Jones, autor do novo clássico Discurso Indireto Livre. O lançamento em questão é Manual de escrita sórdida, um catatau de mais de 600 páginas, que tem a vida de um escritor em crise narrada pelo próprio livro. A linguagem de Jones é devedora de Kerouac, já os temas se aproximam aos do Oulipo. O Manual de escrita sórdida ainda não tem data prevista de publicação no Brasil.

Trecho: “Ele vem, dia a dia, tenta encontrar-me, uma voz, diz ele, uma coisa qualquer, resmunga, um personagem fajuto, talvez, mas ele, não me quer de verdade, porque, se quisesse, teria, mas prefere o uísque barato e o sexo casual.”

capa-jones

→ 2 ComentáriosCategorias: Uncategorized

Morreu Martii Pallasmaa

06/08/2009 · 3 Comentários

pallasmaa

Morreu nesta madrugada o escritor finlandês Martii Pallasmaa. Nascido em 1940, o autor ficou conhecido como a ovelha desgarrada do Oulipo, a Oficina de Literatura Potencial de Gorges Perec e Raymond Queneau. Com Saippuakauppias (ou O vendedor de Sabão em português) Pallasmaa foi indicado para o Prêmio Oslo de Literatura. O livro foi filmado por David Lynch, mas nunca exibido nos cinemas. O Vendedor de Sabão foi, ainda, considerado um dos 100 romances do século pelo Clube do Livro de Ohio e influenciou a escola literária chinesa conhecida como Os Silabistas. Martii Pallasmaa morreu em casa, na cidade de Jyväskilä. A causa foi insuficiência pulmonar e falência múltipla dos órgãos. O grande escritor finlandês trabalhava em um romance chamado Todos os diabos dançam com sinetas, que deixou inacabado com apenas 16 páginas. A editora pretende lançá-lo assim mesmo e em edição de bolso.

→ 3 ComentáriosCategorias: Uncategorized

Melmoth visita o Brasil

04/08/2009 · Deixe um comentário

CAPA NAO ENCONTRADA

Melmoth visita o Brasil

José Pereira Coutinho – 2009 – Ed. Alexandria.

Brasil

(1949)

A história de Fausto sempre foi um dos pilares da literatura ocidental. De Marlowe a Grande Sertão: Veredas. Passando por O retrato de Doryan Gray, o Fausto de Goethe e centenas de outros. Mas o escritor carioca José Pereira Coutinho pretende resgatar a importância de um outro homem que vendeu a alma ao diabo. O Melmoth de Charles Robert Maturin. Melmoth visita o Brasil é uma mistura de livro de contos e livro proto-ensaístico, que reescreve passagens inteiras das obras acima e rediscute a importância do autor irlandês. O foco, contudo, é a importância deste em autores brasileiros. Para Coutinho, Riobaldo é uma transfiguração de Melmoth na construção do Brasil. O pacto seria passado adiante, as gerações seguintes seriam procuradas por esse Melmoth-Estado para que aceitassem a oferta até a sua hora de passar também adiante. Ao contrário de Fausto, Melmoth é um malandro, um errante, que teria mais da vendida alma brasileira.

Trechos:

“Viver não é perigoso para mim. É para os outros” (Pág. 56)

“As coisas só tem o hoje e o aqui.” (Pág 80)

“Melmoth representa a formação do nosso país como nenhum outro. O pacto das elites dominantes com o estado e a igreja é passado adiante e adiante, todo dia somos procurados por errantes…” (Pág 127)

→ Deixe um ComentárioCategorias: Uncategorized

33 caminhos

03/08/2009 · 6 Comentários

33

Lev Golem

33 caminhos – 2008 – Editora Mundo Novo

Israel

Lev Golem não é um homem. Lev Golem é o projeto mais ambicioso da literatura mundial. Com ele, os idealizadores pretendem que cada homem na terra escolha uma das palavras que compõem o livro 33 caminhos. A ideia começou a tomar forma, diz-se, com um grupo de intelectuais judeus fillhos de pais mortos em Auschwitz. Com mais de 6.000 páginas atualmente, 33 caminhos pretende ser um working em progress, sempre acrescentendo páginas à medida que a população mundial cresce e se alfabetiza. As palavras são coletadas por um grupo de viajantes que a transpõem para o hebraico, língua original em que o livro está sendo publicado. A próxima edição já deve sair com mais de 10.000 páginas. O personagem principal é o próprio universo em mutação, recriando-se, morrendo e revivendo. Tornando-se pó e dele fazendo matéria-prima para reviver. O título foi retirado do Sefer Yetzirah, texto pertencente ao corpus da Cabala.

Trecho:
“Esta terra tem um lodo que prega forte no corpo da gente, pra alcançar a luz que ilumina a nossa cara, a gente estende a mão, mas o corpo não responde, fica parado como uma folha, então a gente consegue e move a cabeça pro lado, e olha com um olho de baleia, tenta ver ao redor, pegar uma coisa que valha para levantar. ninguém. nada. coisa nenhuma. Terra. Antes de ficar aqui, deitado com os caranguejos, pardais, cecílias, a gente vivia com aquele beijo sopro de mulher, lavrando a terra que tem um lodo forte que prega na cabeça da gente, pra alcançar a luz fraca que mal ilumina a nossa cara, a gente estende a mão, mas o corpo não responde, fica parado como uma folha, a gente move a cabeça pro lado, e olha com um olho de baleia, tenta ver ao redor, pegar uma coisa que valha para levantar. ninguém. nada. coisa nenhuma…” (Pág.819)

Tradução: Benjamin Salem.

→ 6 ComentáriosCategorias: Uncategorized

O breve dos dedos

03/07/2009 · 3 Comentários

CAPA_NAO_ENCONTRADA

Jean Paul Gouvard

O breve dos dedos – 2007 – Editora Peixes.

Haiti

(1960)

Uma banda de rap chamada The Basquiats grava músicas usando os versos de poetas como Rimbaud, Verlaine e Mallarmé. Todos são imigrantes caribenhos vivendo em Marseille. Um deles é acusado pelos outros integrantes do grupo de ser informante da polícia e é linchado durante uma noite de bebedeira. Este é o início de O breve dos dedos, primeiro livro do haitiano Jean Paul Gouvard. O enredo quase policial mistura poesia francesa, hip hop, estupros e drogas numa linguagem que mistura pelo menos quatro idiomas: francês, crioulo, árabe e inglês. O breve dos dedos figura entre os principais romances caribenhos do século XX. Ao evocar um ambiente específico – o dos imigrantes segregados nos subúrbios franceses – o romance recorre ao conceito de língua e pátria. A questão da mistura linguística se repete como um leitmotiv no texto. Quando o vocalista Solferin é morto parecem morrer também os ideaias de convivência pacífica. Este livro, em outra leitura, aborda fortemente o fim das questões românticas nas artes. Cada personagem é um pequeno Rimbaud negro perdido na selva francesa.

Trechos:

“Ana ohib kotob.” (Pág. 39)

“Je suis hanté, como um perro maiúsculo, dans, dança, dansa…” (Pág. 57)

“Não vim tomar teu corpo esta noite, cachorro.” (Pág. 82)

“Estendendo os braços para o todo-poderoso e escondendo os fundilhos encardidos.” (Pág. 134)

Tradutor: Antônio Marcos Pereira.

O autor, em 1976, durante a sua primeira visita à França.

O autor, em 1976, durante a sua primeira visita à França.

→ 3 ComentáriosCategorias: Uncategorized

Rakesh Chandresakhara não vem para a Flip 2009

02/07/2009 · 3 Comentários

O escritor Rakesh Chandresakhara cancelou a sua participação na Flip 2009, a Feira Literária de Paraty. O indiano participaria de uma mesa redonda com o brasileiro Thiago Maduque e a americana Naheed Pschoor com o tema Promessas da Nova Ficção Mundial. Em carta aos organizadores do evento, Chandresakhara justificou-se afirmando que “não crê em promessas, muito menos em uma nova literatura no mundo.”

→ 3 ComentáriosCategorias: Uncategorized

Eu matei Raymond Carver

22/06/2009 · 5 Comentários

BALEIAS NA PRAIA cópia

Rakesh Chandresakhara

Eu matei Raymond Carver – Ed. Delfos – 2009.

Índia

(1965)

Este blog acaba de confirmar que está no prelo, pela Editora Delfos, a primeira edição em português do último livro do escritor indiano Rakesh Chandresakhara, que já apareceu por aqui com o novo clássico Baleias na praia. Uma mulher se entrega à polícia de Clatskanie, Oregon, alegando ter matado o escritor Raymond Carver. No ato de confissão, desenrola-se toda a ação do livro. Chandresakhara, em entrevista ao crítico Julian Cardoni, já comparou a estrutura do seu novo romance a um orgasmo. Eu matei Raymond Carver é inconfundivelmente uma obra dele, mais do que qualquer um dos seus livros.

Trechos:

“É que às vezes, seu polícia, às vezes eu penso nesse meu corpo como o corpo de outra pessoa, já morta.” (Pág. 24)

“Foi com um lápis, senhor, sim, senhor, sim. Bem aqui no olho.” (Pág. 58)

“Eu usava um disfarce, como o Fantasma fazia para encontrar Diana .”  (Pág. 95)

Tradução: Marcondes Peçanha Filho.

→ 5 ComentáriosCategorias: Uncategorized