Giuseppe Barbagallo
O baile das casacas alugadas– 2003 – Ed. Mundo novo.
Itália
(1953)
Uma mãe narra essa história. Assim como todas as outras histórias. As mães narram para sempre. Uma mulher que sofre do Mal de Alzheimer narra essa história. Uma história de mãe e filho. Com avançado grau da doença, ela esquece o nome das coisas e pessoas. Esquece o nome do filho. Esquece quem é. Esquece o acontecido. Inventa. Assim como o autor. Barbagallo cria, através da sua personagem, uma escrita próxima das kennigar islandesas. A mulher, a mãe, narra esquecendo. Narra para morrer. Uma Sherazade às avessas. Um assaltante invade a casa da família em um passado remoto. A doença de esquecer e a de não esquecer. O filho da mulher que narra quer vingança pelas mortes causadas, pelos estupros cometidos. Giuseppe Barbagallo cria ficção porque esquece. Isso fica claro nas linhas de O baile das casacas alugadas. A linguagem aqui, de tão rebuscada, faz o leitor refletir sobre o que é realmente límpido e claro em nossas vidas. O que deve ser dito. O livro é uma espécie de novo neobarroco onde a arte da contra-conquista falhou. E a arte, em geral também. Esquecemos todos.
Trechos:
“O grande que quebra anel, aquele, que no monstro de olhos, de olhos verdes, entrou em casa.” (Pág. 45)
“…a empregada dormiu com bala, só levantou com o sol das casas.” (Pág. 92)
“A gente vive aqui nesse crânio de Deus é assim. Esqueço.” (Pág. 132)
Tradução: Vicente Alexander

Um dos melhores posts, belo.
Valeu, Polli. Vira a mesa, reembaralha as cartas, envenena o juiz
Um dos melhores posts, belo. [2]
Valeu também, Charbel. Abraço.
To querendo reler esse.
e esse site que aparece aí?