Livros que você precisa ler

Colibri Amante

Colibri Amante – 1996 – Ed. Maipu.

Juan Axterriaga

País Basco/Espanha.

(1916 – 2000)

“O arroto do bicho era cruel, de meter medo. A barriga balofa e os dentes de javali apareciam certos na cabeça dos meninos quando Vovó abria a pia. Era feio, esse porco. Tinha uma gestação muito certa e parecia hibernar. Vivia só assim: dormindo, comendo através do ralo e procriando indefinidamente. Mergulhado em um mar imenso, imerso, de líquido amniótico, expelindo fetos-porco por todas as torneiras da casa.” Assim começa a fábula adulta O porco, presente no volume de contos Colibri Amante. Juan Axterriaga nasceu no país basco em 1916 mas só publicou o seu primeiro (e único) livro aos 80 anos. Passou a idade adulta como guerrilheiro pró-independência do seu país. Abandonou as atividades em 1975, após se casar com uma prostituta norueguesa. Colibri Amante possui 12 contos. Talvez o mais conhecido deles, juntamente com O Porco, seja o que dá nome ao volume. Colibri Amante é a história de uma mulher, a escritora María Flores, que tatua um livro no próprio corpo e só revela o que é escrito aos seus amantes. O livro dentro do livro conta uma singela história de amor: “Ele não acordou meio bêbado aquela noite. Não abriu a porta com preguiça e não estava com um pouco de medo da noite lá fora, sem antes não deixar as chaves caírem no chão. Ele nunca olhou o calendário de cores desbotadas na porta da cozinha e, tampouco, encheu o copo de água. Num gole só não deixou uma gota escorrer pelo canto da boca até o queixo que não estava mal barbeado. Naquela noite ele não dirigiu no escuro até a casa que não era branca. E lá havia uma mulher”. Colibri Amante há tempos estava merecendo uma nova edição em português.

Trechos:

“(Temo que sonhem com minha vida, repetiu ela mais uma vez. Temo muito. Depois o silêncio. Um silêncio de postes queimados, um silêncio de postes escuros. São vários os tipos de escuro. O que chia sem cessar, o acinzentado, o pesado e, por último, o escuro branco dos olhos abertos que só funciona quando a cabeça tá longe. São vários, também, os tipos de silêncio: grave, tímido, solene, voraz, louco…” (Pág. 35)

“…escrevendo com língua de fogo no meu próprio corpo…” (Pág. 65)

“Penso em contar uma história. Ela funcionaria como nos livros antigos, onde uma história emoldura as outras. Um demônio, Bakakat é o seu nome, ascenderia aos céus depois de se rebelar contra Satã.” (Pág. 122)

Tradução: Jessica Malta.

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2 comentários em “Colibri Amante

  1. heitor
    19/09/2008

    colibri amante já procurei mil vezes, uma relíquia, um tesouro perdido. meu pai tinha um mas perdeu e eu perguntei onde e ele me disse que se soubesse não teria perdido. a vida tem dessas coisas.

    é incrível nesse livro e nos outros contos, a presente fusão semiótica, híbrida e romântica. é lindo.

    valeu berna, vc pode tirar uma xerox pra mim?

    abs

  2. Bernardo Brayner
    19/09/2008

    Mando uma cópia para você, Heitoral. Lembrando que o livro não possui a página 100. pula da 99 para a 101. Não é erro meu nem do xerocador. Cousas do autor.

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Publicado em 18/09/2008 por .
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