Livros que você precisa ler

Autobiografia de Arno Prati

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Autobiografia de Arno Prati – 1972 – Ed. Peixes.

Arno Prati

Itália

(1945 – 2005)

É um livro estranho, este Autobiografia de Arno Prati. Trata-se de uma autobiografia imaginária passada no ano de 2118. No prefácio o autor explica que o livro conta a história de três gerações e vai até o momento da própria morte do autor. O detalhe é que cada página se repete letra-a-letra, frustrando essa expectativa. É como se a vida fosse uma repetição incessante. Talvez o autor queira nos mostrar que a psique humana repete tudo o que já viveu e projeta cada detalhe no futuro. Mas essa é só mais uma maneira de ler o livro. Prati morreu em 2005. Em vida foi amigo de Georges Perec e flertou com os exercícios de estilo do Oulipo. As epígrafes de Autobiografia de Arno Prati, mais tarde, foram emuladas por Junot Díaz em A Breve e Maravilhosa Vida de Oscar Wao.

 Trechos:
“Na noite passada me aconteceu: fui mordido por um livro. Era um livro vermelho e na sua capa estava estampado um grande peixe com asas. Creio que a mordida foi obra deste peixe. Graças a Deus não foi nada sério. Apenas um corte pequenininho. Pequeno, mas bem ardido. Até o dia de ontem, eu não sabia que capas de livro pudessem morder alguém que fosse.Chupei o filete de sangue que se formou no dedo anelar da minha mão esquerda (olha, ainda tenho a cicatriz) e nunca mais abri aquele livro que ficou ali, jogado, com as páginas marcadas pelo meu sangue que se confunde com a sua tinta. Hoje, as pessoas abrem aquele mesmo livro com capa vermelha e um peixe desenhado e, desavisadas, tomam as manchas de sangue por tinta. “Um simples defeito de impressão, logo ali na primeira página”. Elas nem imaginam, bestas. Mas eu imagino. Eu posso imaginar a fileira de dentinhos pontiagudas do peixe-voador. Microscópicos dentes se multiplicando em fileiras intermináveis e formando um grande, um imenso sorriso de escárnio….” (Pág. 12)

 “Na noite passada me aconteceu: fui mordido por um livro. Era um livro vermelho e na sua capa estava estampado um grande peixe com asas. Creio que a mordida foi obra deste peixe. Graças a Deus não foi nada sério. Apenas um corte pequenininho. Pequeno, mas bem ardido. Até o dia de ontem, eu não sabia que capas de livro pudessem morder alguém que fosse.Chupei o filete de sangue que se formou no dedo anelar da minha mão esquerda (olha, ainda tenho a cicatriz) e nunca mais abri aquele livro que ficou ali, jogado, com as páginas marcadas pelo meu sangue que se confunde com a sua tinta. Hoje, as pessoas abrem aquele mesmo livro com capa vermelha e um peixe desenhado e, desavisadas, tomam as manchas de sangue por tinta. “Um simples defeito de impressão, logo ali na primeira página”. Elas nem imaginam, bestas. Mas eu imagino. Eu posso imaginar a fileira de dentinhos pontiagudas do peixe-voador. Microscópicos dentes se multiplicando em fileiras intermináveis e formando um grande, um imenso sorriso de escárnio….” (Pág. 59)

 “Na noite passada me aconteceu: fui mordido por um livro. Era um livro vermelho e na sua capa estava estampado um grande peixe com asas. Creio que a mordida foi obra deste peixe. Graças a Deus não foi nada sério. Apenas um corte pequenininho. Pequeno, mas bem ardido. Até o dia de ontem, eu não sabia que capas de livro pudessem morder alguém que fosse.Chupei o filete de sangue que se formou no dedo anelar da minha mão esquerda (olha, ainda tenho a cicatriz) e nunca mais abri aquele livro que ficou ali, jogado, com as páginas marcadas pelo meu sangue que se confunde com a sua tinta. Hoje, as pessoas abrem aquele mesmo livro com capa vermelha e um peixe desenhado e, desavisadas, tomam as manchas de sangue por tinta. “Um simples defeito de impressão, logo ali na primeira página”. Elas nem imaginam, bestas. Mas eu imagino. Eu posso imaginar a fileira de dentinhos pontiagudas do peixe-voador. Microscópicos dentes se multiplicando em fileiras intermináveis e formando um grande, um imenso sorriso de escárnio….” (Pág. 100)

Tradução: Rodrigo Menpelli.

Georges Perec influenciou Prati.

Georges Perec, influência máxima de Prati.

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2 comentários em “Autobiografia de Arno Prati

  1. lusenalto
    05/11/2008

    gostei muito desse livro. muito mesmo.
    já pedi dois pelo submarino.
    ah. inclusive o Sr. Portela me pediu para pedir a você emprestado uma caixa com ovos.
    acho que para fazer um bolo.

  2. bernabrayner1
    05/11/2008

    Queira se retirar, por favor.

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Publicado em 05/11/2008 por .
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