Livros que você precisa ler

Os imaginautas

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Kazue Sassaki

Os imaginautas – Ed. Mundo Novo – 1992.

Japão/Grécia

(1970)

Uma sociedade secreta é criada com o intuito de subverter a ordem mundial apenas imaginando. Imagina-se uma população misturada, um novo sistema político, diálogos diferentes e novos entre as pessoas, uma chuva que cai em um ângulo diferente, um vento um pouco mais frio, um inseto mais colorido, um carro que desliza mais suavemente, a respiração que se ouve com mais vagar, as pupilas que se dilatam, a dor mais branda, uma caneca de cerveja que não termina, um bebê que não chora pela mãe, uma língua diferente com que possa dizer tudo. No começo são doze pessoas a participar da sociedade, logo são trinta, trezentos, três mil, três milhões. Aos poucos o mundo vai deixando de ser real, para ser imaginado. Ou suprarreal. São os imaginautas, que creem poder mudar o mundo, destruir a opressão do mundo real, criar um universo imaginário, não perfeito mas melhor, e viver a maior parte da vida possível nele. Essa é a história do livro do ainda desconhecido escritor japonês naturalizado grego Kazue Sassaki. Trata-se de um olhar lúcido sobre a importância da arte em uma sociedade cada vez mais mecanizada e um brinde anárquico à imaginação de todos nós. Hoje Kazue Sassaki está trabalhando em um outro projeto chamado Metatron, em que narra a história de um cientista que cria Deus em laboratório. Todos os seus livros são escritos em um estilo que mimetiza os clássicos japoneses. Um detalhe na vida do autor é que ele nasceu Inoue Sassaki e mudou o nome para Kazue Sassaki quando assumiu a sua homossexualidade, tornou-se militante da causa gay e se mudou para a Grécia.

Trechos:

“Naturalmente a vida parecia mais interessante do lado de lá, era como ir ao paraíso sem precisar morrer, a vida comum só era necessária para manter os corpos pensantes ainda vivos.” (Pág. 29)

“O mundo era um enigma infinitamente maior e cada vez mais renovado, pois olhávamos com um milhão de olhos. Éramos milhões de deuses e não só um.” (Pág. 67)

“Juntávamo-nos em trinta países imaginando trinta outros países e um sem número de almas renovadas, sem a casca dura do mundo aquém.” (Pág. 104)

Tradução: Carlos Mizue.

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2 comentários em “Os imaginautas

  1. Kazue Hatori
    03/02/2009

    Não entendi o “…ele nasceu Inoue Sassaki e mudou o nome para Kazue Sassaki quando assumiu a sua homossexualidade…”
    Ele não sabe que o nome Kazue significa “Homem másculo e viril que veio para empalar seus inimigos”?
    Só me faltava essa.

  2. Myriam Kazue
    06/02/2009

    Hanzo-san,

    Na verdade, Kazu= único/a, primeiro/a. Pode significar tb harmonia.

    O ‘e’ final é característico de nome feminino, assim como o ‘mi’.

    Meu pai – que era Kazuo – iria achar tudo isso muito engraçado.

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Publicado em 02/02/2009 por .
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