Livros que você precisa ler

Ars est celare artem

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Epísteto

Ars est celare artem – Ed. Barramante- 1928

Madaura, atual Argélia, antiga província romana da Numídia.

(125-175)

Não é o alfabeto uma invenção do homem. Tampouco uma oferta de alienígenas. Também não é coisa de Deus ou do Diabo. Pelo menos segundo o Ars est celare artem, de Epísteto. Na história, o alfabeto é como as pedras, os rios e os oceanos. É como a rocha mais firme que o vento e a chuva foram esculpindo aos poucos, ou como a fruta que cresceu no galho seco sem esperar que ninguém a colhesse. Na novela escrita em latim, temos Dioclécio, um homem que faz essa descoberta durante um diálogo com o próprio Platão. Embebido de inveja pela genialidade do pupilo, Platão tenta assassiná-lo. Mas Dioclécio escapa transmutado em asno, serpente e prostituta. O estilo de Epísteto é rigoroso, rude e, por vezes, lírico. Ars est celare artem é um percusor de Borges ou Calvino. Ou, quem sabe, uma invenção deles. A primeira edição brasileira saiu na década de 20 pela extinta Barramante, mas a primeira bilíngue ainda está esperando ser feita. Só assim o leitor lusófono poderá saborear a poderosa prosa de Epísteto em sua força integral. O autor nasceu no ano de 125 na Numídia, província que fazia parte do Império Romano. Usou por toda a vida um nome grego para homenagear o fabulista Esopo e morreu, presumidamente, em 175.

Trechos:

“O alfabeto inventou os homens com seu fogo de marcar gado, feriu nossa pele com seus traços horizontais e verticais, sua veia maldita, seus espinhos.” (Pág. 59)

“O jantar foi servido em uma mesa muito grande e Platão estava no alto da cabeceira, chorando por não conhecer a verdade do alfabeto. O alfabeto não falava com ele.” (Pág. 70)

“Nem toda a beleza vinha da palavra, mas a palavra já existia antes da beleza. Nem todo o amor nasce do discurso. Mas o discurso já estava pronto antes do amor.”  (Pág. 76)

Uma das poucas imagens conhecidas do autor está em exposição no Museu de Roterdã, Holanda.

Uma das poucas imagens conhecidas do autor está em exposição no Museu de Roterdã, Holanda.

Tradução: Marcus Martins

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2 comentários em “Ars est celare artem

  1. Vinicius
    08/04/2009

    “O alfabeto não falava com ele”.

    A inveja de Platão já torna o autor, e o livro, obrigatórios; Eu sempre tive uma desconfiança que a Idéia, um dia, quase resultaria em assassinato. Estou achando esses livros cada vez mais preciosos. Abraço.

  2. Bernardo
    08/04/2009

    Obrigado, Vinicius. Abraço.

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Publicado em 07/04/2009 por .
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