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Thiago Maduque indicado para o Prêmio Martii Pallasmaa de Literatura

O conto Eu não percebi quando eles se aproximaram, do brasileiro Thiago Maduque, foi indicado para o prêmio Martii Pallasmaa de literatura, na Finlândia. O resultado deve ser anunciado no 19 do prôximo mês, em cerimônia no museu Martii Pallasmaaa, em Helsinki. O texto, que foi traduzido para o finlandês pelo professor da UFRJ Rodrigo Rosa Portella, pode ser lido abaixo:

Eu não percebi quando eles se aproximaram.

Eu estava assombrado por zumbis, sonhando com mortos vivos há duas semanas, quando resolvi escrever um conto sobre eles. Talvez um conto em que dois eram colocados para procriar em laboratório e se devoravam enquanto faziam sexo, as gravações fariam sucesso no mundo pornô. Mas fiquei desanimado quando lembrei que Bolaño escreveu algo parecido e eu não quero parecer um plagiador. Tento, sempre em vão, um estilo próprio, algo que possa reconhecer como meu. Que possa mostrar como meu. Estou notando agora, enquanto escrevo, que esta narrativa está com cara de Sérgio Sant´anna. Sant´anna fez muito isso. E essa autoficção toda? Sebald? Ra. O conto. Falo do conto dos zumbis. Esse conto, ele deve ser narrado em primeira pessoa. Pode ser um cara, um adolescente que viu a gravação original e espalhou. Como um vírus. Péssimo paralelo. Barato.

Cara, você tem que acreditar no que eu vi, vou te passar por e-mail. Sinistro. Nunca vi. De verdade? Fake não.

Preciso de muito mais. Mais. O que fazer para ter essa maldita voz interior. Negócio complicado. Talvez seja melhor explorar a história sem se procupar muito com isso de estilo, de voz interior. Quem ouve voz interior é doido. Doido da. Palavrão não. Nunca gostei de quem escreve e coloca palavrão no meio. Vou paracer Marcelo Mirisola, sei lá. Acho que não é legal parecer Mirisola. Não é bom ser pop demais também. Mas o tema é pop. Só Chabon é que ainda não descobriu. O conto deve ter uma cara nova. Essa primeira pessoa parece Marcelino Freire. Terceira.

E então, sem que ele percebesse, eles se aproximaram. Dois amigos que já tinham visto o vídeo. A cara assustada. Falavam sem parar. Trabalhavam no quartel e conseguiram a gravação por lá. Muito nervosos.

Não é legal. Tá sem vida. Plágio é uma coisa muito séria. Por isso também me plagiei ao escrever esse conto.

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Publicado em 25/01/2010 por .
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