Livros que você precisa ler

Fim

Thobias Kreugmann

Fim – Ed. Mundo Novo – 2010.

Alemanha

(1959)

Fim é uma obra de ficção. Feita o alerta inicial expliquemos que Fim é também uma paródia a filmes e livros apocalípticos escrita por Thobias Kreugmann (autor também de Você pode ser infeliz!) em 1986 e só agora traduzida para o português. Mas a Terra aqui não está destruída, não vemos zumbis, hordas de mutantes sobreviventes ou um herói solitário tentando conseguir comida entre os escombros de uma cidade. Em Fim o apocalipse chegou apenas para a ficção. Somos apresentados a um mundo em que ninguém tem necessidade de ler ou assistir filmes. Todos estão tão satisfeitos com a realidade que começam a acreditar que são deuses. Com milhões de deuses perambulando pelas ruas fica difícil encontrar um mundo mais horrendo, algo mais próximo do fim. O livro é escrito com urgência, vazado em uma prosa maravilhosamente descuidada e como se fosse o lamento de um enfermo, uma saison en enfer. Talvez seja por isso que acabe abruptamente, como uma novela de Kafka. Fim é uma obra de ficção, mas está se tornando real. No momento em que tudo é ficção, tudo é literatura, nada é arte. Para saber mais sobre Kreugmann, utilize a busca do nosso blog.

Trecho:

“Como é o teu nome, hã? Hum, ahã, sei. Nome bonito. Hum. Estou muito feliz hoje, sabe? Você aparecer assim na minha vida. Você ter vindo assim de tão longe. Isso é coisa do destino, eu sei. Destino sim. Hum-hum. O destino já está escrito em algum lugar, sabe? Costurado na língua dos deuses. Escrito com agulha no canto do nosso olho. Será que foi Deus? Hã? Deus mandou você para mim? Huu. Não acredito nessas coisas. Deus não mandou você para mim, mas você está aqui agora. Eu ando sozinho aqui nesse lugar há tanto tempo. Você me mata de felicidade. Ah, como esperei por você. A viagem deve ter sido longa, não? Hum-hum. Sim? Então descanse. Amanhã é um dia especial. Que grande dia vai ser amanhã. Já vejo o dia acordando com seus dedinhos cor-de-rosa.. Ninguém vai matar a fome de amanhã. É com ninguém que eu vou viver. Hum-hum. Aceito, claro. Vinho é bom. Adoro o vinho. No vinho está a verdade, né? Hummm. Bebida dos deuses. Bom demais. Hahahaahaha. Logo três goles grandes. Hahahaha. Dá até sono. Sono bom. Meu corpo está cansado. Pensa que é fácil, é? Eu estou com fome, sabe? E com sono. Hummm. Ai, argh. Pfu. Isso dói. Ninguém é esperto. Espertinho. Entende de coisas. Ninguém me maltrata um bocado. Ninguém deixa. Faz com que fale o que não quero. Ninguém fez eu beber demais. Ninguém faz eu de cego. Graaaaa. Eu estava cego. Eu estou cego por você. Não sei onde ninguém vai. Ninguém foge. Ninguém me mata. Quem está aí, perguntam os outros? Ninguém.” (Págs, 25 e 26)

Tradução: Joachim Knut.

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3 comentários em “Fim

  1. Bernardo
    27/01/2010

    Bem lembrado, Polli.

  2. Teno da Silva
    28/01/2010

    Yes, we can!

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Publicado em 27/01/2010 por .
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