Livros que você precisa ler

O peep show da Mamãe Ganso

PeepShow_MamaeGanso

O. O. Pensky

O peep show da Mamãe Ganso – Ed. Martes – 1982.

Inglaterra

(1947 – 1998)

O formato de folhetim não ficou inteiramente perdido no passado, foi resgatado em meados dos anos oitenta por O.O. Pensky com ingredientes pop, o que se convencionou a chamar de literatura peep show. Cada trecho insinua sem revelar a totalidade e, ao final do capítulo, o leitor deverá voltar a investir tempo como uma moeda que se insere para que a apresentação continue. A história: uma professora aposentada de francês vira uma requisitada stripper chamada Phlox depois da morte da sua família. Em tom de folhetim romântico, a personagem se apaixona por uma criatura feérica chamada Ephinx, um tipo de elfo ou gênio vindo das mil e uma noites e perdido na Londres de Thatcher. As aventuras de Phlox, seu filho Eno e o cão Moby Dick (aqui uma curiosidade para os leitores brasileiros: o nome do cachorro foi inspirado na Baleia, de Graciliano Ramos) deixam o leitor confuso sobre o que acontece na realidade, planos de sonho, lembrança e realidade se sobrepõe continuamente. O peep show da Mamãe Ganso trata, em último caso, de um grande comentário sobre a literatura e o ato de narrar. Uma obra que comove e eleva, lançando um olhar de misericórdia mas nunca de crueldade com as relações humanas e a própria literatura, da qual é um espelho. Seus livros de poemas são: Cama de ossos (1973), Grito! (1976) e Panurgio (1980).

Trecho: “Você, meu filho, de cabeça baixa, sentado, curvado, desenhando. Seu brinquedo é a folha de papel e o giz de cera. Finjo não prestar atenção, a proibição pertubadora dos olhos. Simplesmente você desenha. Quase sempre uma casa, uma família rabiscada com um mãe que não sou eu, uma árvore com improváveis maçãs. Neste outro um carro, um desenho abstrato. Você e suas mãos, como duas pequenas pinças. O meu pequeno caranguejo. Desenhar para você é natural como comer ou dormir. Ou respirar. É como contar histórias para si mesmo, histórias que não fazem dormir, por mais que cocem os olhos. Fechados nós dois nesta casa, esperando, só esperando. Escondidos. Na superfície branca e porosa do papel, um monstro feito de olhos.” (Págs. 45/46)

Tradução: Otávio Margolis.

A família Pensky no começo do século. Harold Pensky, pai de O.O., é o do alto à esquerda.

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5 comentários em “O peep show da Mamãe Ganso

  1. Lillian Oliveira
    18/02/2010

    Que bacana seu blog!
    Andei procurando um blog que falasse sobre bons livros… Finalmente achei, oba!!
    Passarei a seguí-lo por aqui, se não se importar… 🙂

  2. Bernardo
    18/02/2010

    Fique à vontade, Lilian. Que bom que você gostou.

  3. Nossa! O seu blog é tudo o que preciso e quero
    no momento, obrigada

  4. Bernardo
    15/03/2010

    Eu que agradeço, Ines. Apareça sempre.

  5. Coentro
    31/03/2010

    Gosto do fundo da foto da Família Pensky.
    O cenário é inconfundível: a Floresta Da Tijuca.
    A julgar pelas expressões faciais, somente a Tia Ethel (ao lado do seu irmão Harold)
    visitou o Rio.

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Publicado em 18/02/2010 por .
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