Livros que você precisa ler

Emil

Javad Shatardazah

Emil – Mandradore – 1944.

Irã

(1883-1968)

Obcecado pela ideia de que o Pinocchio de Collodi é uma reescritura do Fausto de Goethe, Javad Shatardazah escreveu o seu Emil com o intuito de figurar entre os escritores de todos os tempos, seria o último livro de uma trilogia iniciada pelo clássico alemão. Para o iraniano, Geppetto é uma manifestação de Deus e o personagem principal, enquanto boneco de madeira,  seria a representação do Fausto e seu pacto com Mefistófeles, um títere de um demônio. O personagem que quer a liberdade, quer seguir o seu caminho e deseja uma alma, no livro de Shatardazah é um diabo que se cansou de ser manipulado por Deus, tornando-se, assim, um homem. Estamos condenados a ser livres, diria Sartre sobre o livro do iraniano. Freud veria aí o princípio do prazer. No livro, Emil, o diabo de Javed, deseja ardentemente uma alma e um sexo. Vazado em linguagem às vezes clássica às vezes baseada em fino pastiche, Emil se inscreve na melhor prosa do período da Segunda Guerra.

Trechos:

“Era uma vez…um demônio!” (Pág. 12)

“Me acuda, Satã! Que a vida seja menos longa que a arte. De tanto desejar tenho dores no peito.” (Pág. 36)

“A preocupação com a educação e a ciência, oh, não eram eles homens que queriam ser deuses ou pedaços de madeira que queriam ser homens?” (Pág. 90)

“Todos somos marionetes. De Deus, de Satã, ou dos homens. Mas sempre de nós mesmos.” (Pág. 118)

Tradução: Aristides Peixoto.

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Publicado em 06/04/2010 por .
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