Livros que você precisa ler

Novo tratado de ética e estética aplicada

Simon Heywood

Novo tratado de ética e estética aplicada – Polis Editora – 1975.

Inglaterra

(1939 – 2005)

O inglês Simon Heywood nasceu em 1939, no balneário de Saltburn-by-the-sea, condado de North Yorkshire. De família ferozmente anglicana, não falou até a idade de 33 anos. Só então tornou-se médico e começou a escrever relatos de viagens nunca feitas. Produziu mais de 60 volumes, entre eles este Novo tratado de ética e estética aplicada. Depois de ler aguçadamente tudo sobre as mais importantes descobertas arqueológicas sobre a Grécia Antiga, escreveu o romance em que imagina os gregos como mutiladores. Estátuas sem os braços como a Vênus de Milo e a Niké de Samotrácia seriam, no livro, a prova de que os gregos amputavam os membros das mais lindas mulheres da polis em busca de uma pretensa simetria e de uma louca perfeição. O alter ego de Heywood no livro é o arqueólogo holandês Peter Djik, um visionário que se afoga cada vez mais em sua psicoses. Djik é, também, um escritor. Assim, temos um livro-dentro-do-livro em que Djik conta a história do artista Polímenes que, com sua lâmina, esculpia os corpos femininos com uma visão doentia da estética e, ainda mais, da ética. Heywood procura debater neste romance temas como a arte e o subjetivismo. Kant, usado como epígrafe do livro de Peter Djik, escreve: “Declarar que és sublime não é identificar para mim qualquer propriedade em você, é apenas relatar um sentimento que se passa em mim”. A linguagem seca de Heywood contrasta com a exuberância de Djik, como se em dois corpos existissem o bem e o mal, o médico e o monstro.

Trechos:

“Zeus é o mais forte, mas não é onipotente. O completo é falho, o escasso é aproximar-se do pai dos deuses.” (Pág. 54)

“As mães, enquanto dormem, são visitadas pelo anjo criador. Suas filhas, enquanto dormem, são visitadas por mim, Polímenes.” (Pág. 78)

“Rochedos escarpados como animais vivos, mãos alcançando um céu.” (Pág. 111)

“Nenhuma vitória foi tão grande quanto o júbilo da perfeição. A névoa ascendia ao teto, fumegava um facho que o escravo acendera depois de colocar os dedos amputados no cesto.”  (Pág 124)

Tradução: Tiago A.

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Publicado em 22/04/2010 por .
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