Livros que você precisa ler

Também a vida é um animal estranho

Também a Vida capa

Também a vida é um animal estranho – 2010 – Ed. Unir.

José Pereira Costa Pinto

Brasil

(1971)

Provavelmente este Também a vida é um animal estranho seja o mais estranho livro já escrito sobre o Sebastianismo. Mas falar que se trata de um livro sobre esse movimento messiânico é simplismo. O livro é sobre muito mais. De viagens no tempo a paradoxos e aporias. O livro é composto basicamente por duas histórias que caminham em paralelo, mas que nunca se cruzam. Na primeira narrativa um grupo de cientistas brasileiros ressuscita Dom Sebastião de Avis no século XXII usando uma técnica que mistura manipulação de células artificiais e candomblé. Na segunda, um homem perseguido por pistoleiros foge pelo agreste pernambucano. José Antonio Viveiros do Nascimento espera repetidamente que um dos seus interlocutores lhe dirija um tiro de um revólver calibre 38 enferrujado. Mas, como se para prolongar seu sofrimento, dirigem apenas apertos de mãos. As histórias, aparentemente sem conexão entre si, mostram a busca da identidade de um país no primeiro caso e de um homem no segundo. Nessa última, o personagem por se saber jurado de morte, responde sempre à pergunta Você é José Antônio Viveiros do Nascimento? com outro nome, inventado na hora para escapar da morte. Na primeira, Dom Sebastião surge de uma poça de sangue, como um personagem de Hellraiser, para transformar o Brasil em um poderoso império. Mas para isso, os cientistas precisam voltar no tempo e colher amostras do seu sangue.

Trechos:

“Irmãos, esta noite, esta noite sem data, vamos exumar o futuro.” (Pág. 22)

“Do sangue surgiram duas patinhas finas de inseto que foram pouco a pouco se preenchendo de carne enquanto olhos zumbiam como moscas. Os pelos bichos começaram a lhe brotar da calva…”   (Pág. 37)

“Dos ossos, um estandarte drapejado de pele.” (Pág. 39)

“- Seu nome é José Antônio Viveiros do Nascimento?

– Não, senhor, meu nome é Manuel Aparecido de Freitas. Esse Viveiros não conheço.” (Pág 79)

“Meu nome é Qualquer um. Hoje sou Tomás Barreiras da Silva, se me perguntam.” (Pág. 82)

“Conhece o senhor o Paradoxo do Corvo de Hempel? Esse sou eu, senhor.” (Pág. 134)

“O Encoberto. O Adormecido. O Ressurrecto. Esse sou eu. Viva, Avis.” (Pág. 166)

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Publicado em 31/05/2010 por .
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