Livros que você precisa ler

Peixe-diabo

Peixe-diabo – 2005 – Ed. Barravento.

Barbra Merguebe

Etiópia

(1960)

A escritora etíope Barbra Merguebe recebeu o prenome por causa da atriz e cantora americana. Parecia um prenúncio da sua vida passada nos Estados Unidos. Foi lá, já portadora do vírus da Aids, que estudou e se transformou em ativista política. Passou pela prestigiosa universidade de Yale, onde teve sua tese de mestrado sobre Moby Dick recusada como um amor barato. A tese, posteriormente, foi adaptada para se transformar neste poderoso romance, Peixe-diabo. Após o sucesso do primeiro livro, Barbra lançou uma coletânea de poemas chamada Diurnos, em 2009. Hoje, Barbra Merguebe vive em Adis Abeba na companhia do marido, um ex-padre italiano que é também seu agente literário. Peixe-diabo é a história de Deriba Wansiru, uma mulher que descobre que contraiu o HIV em uma relação sexual com o marido. O livro dialoga em todos os momentos com o grande romance americano, é uma busca incessante do mal e do amor, que explora as muitas leituras do livro de Melville, incluindo a conotação sexual do nome da cachalote. Peixe-diabo é uma aventura sem fim, rica em paroxismos, que celebra a multiplicidade angélica-diabólica do homem.

Trechos:

“As coisas gritavam dentro dela, gritavam não, antes falavam em meio-tom mas energicamente – e não eram coisas , eram quase pessoas, como bonequinhas russas tagarelas – os temas, a saber:

– Deus;

– Amor;

– Filhos;

– Uma receita (nova) com peixe e menos sal.

Sem ordem de importância, pois as vozes das matriuskas não conseguiam coordenar-se para isso.” (Pág 24)

“Seus olhos fechados em si. Pupilas são amantes rejeitados.” (Pág 49)

“Perseguir esse peixe-diabo. Ahab. Você também matará ele. Fará com que essa imensa baleia deixe de reproduzir, arrancará suas barbatanas gordurosas, extrairá suas mandíbulas prodigiosas, abrirá seu ventre mole chamado amor.” (Pág 190)

“O amor como um beduíno, um nômade, uma baleia procurando um santuário para se reproduzir, um Deus.” (Pág 322)

“Amor, da tua gordura, do que te sobra, faço luz, queimo luz.” (Pág 419)

“Chama-te espermacete.” (Pág 479)

Tradução: Hélio Pinheiro da Cunha.

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4 comentários em “Peixe-diabo

  1. Selma Peres
    19/01/2011

    Bernardo, todas as sugestões estão lindas e deliciosamente bem cuidadas! Adorei as capas, as ‘capas não encontradas’ e os trechos dos livros.
    Bjo.

  2. Bernardo
    14/07/2011

    Obrigado, Selma. Bjo.

  3. Sarah
    23/04/2013

    Onde posso comprar este livro?

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Publicado em 11/01/2011 por .
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