Livros que você precisa ler

As

Gabor Pályudar

As – 2008 – Ruína Editorial

Hungria

(1962)

O húngaro Gabor Pályudar, tido por muitos como um artista plástico e não propriamente um escritor, concebia um livro como um organismo, um ser vivo, por isso único. Nenhum dos seus livros foi lançado comercialmente com cópias na Hungria. O que acontecia eram lançamentos de grupos de livros que diferiam entre si, embora tivessem um DNA semelhante, assim como uma população de antílopes, hipopótamos, cachalotes ou estranhos besouros. Este livro As, por exemplo, um exemplar raro e finalmente catalogado, foi lançado simultaneamente com outros em Budapeste no inverno de 1988. São textos que conservam uma estrutura e, principalmente, um tema: a impossibilidade de escrever/viver. A editora de Pályudar no Brasil optou por traduzir apenas dez desses livros e lançá-los individualmente ou em um box em 2008, apesar dos protestos do autor. As foi traduzido por aqui juntamente com Infinitas, J´eu, Monologia, Comboio, Carta aberta, entre outros. O livro As, este organismo único, conta a história de Lazlo, um garoto de 10 anos que possui os poderes de um deus. Tudo o que ele imagina (narra) se torna realidade automaticamente, criando um impasse entre real/irreal. A trama, quase absurda, não foi bem recebida pela academia inicialmente, mas, com o tempo, se transformou em objeto de culto. Acrescente-se aí a dificuldade de localizar cada livro-único e cotejá-lo com os demais, em um trabalho de vivissecção de uma espécie. Os leitores húngaros, no final da década de 80 colecionavam livros como Nabokov colecionava frases e borboletas e os espetavam bem fundo na mente.

Trechos:

“Formas multicolores que lembravam uma ameba ou um paramécio apareciam toda vez que o menino Lazlo fechava os olhos e explodiam na criação do mundo.” (Pág. 27)

“Ah, me sentia como Um. Vi pássaros da cor do mais vermelho rubi se amontoando e tomando a forma de um único pássaro vermelho-vivo, um pássaro gigante, mais antigo que a criação.” (Pág. 49)

“Algumas violetas murchavam na sua lapela quando havia o silêncio.” (Pág. 89)

“Houve também, certa manhã, em que me vi metamorfoseado.” (Pág. 123)

Tradução: Paulo Kovacs.

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Publicado em 23/04/2012 por .
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