Livros que você precisa ler

Seremos zero

Riahd Achou

Seremos zero – 1992– Editora Metrópolis.

Tunísia

(1940)

Após ter os seus originais negados por 43 editoras diferentes em 4 países, o escritor tunisiano Riahd Achou encontrou a singularidade da sua literatura. Seu único e furioso  livro é este Seremos zero. Trata-se da história de um etnógrafo suíço que resolve ser um zero à esquerda depois de conhecer uma tribo de índios na floresta amazônica que não conhecem os números. Esse homem renuncia ao suicídio por acreditar que será lembrado por sua morte, esquece o plano de se isolar em uma cabana no deserto por medo de ser confundido com um sábio, abdica de fazer planos para não ser considerado um sonhador. Esse homem é Haikel. Embora não queira ser chamado por esse nome para não ser um nome. Depois das sistemáticas recusas, Riahd Achou simplesmente desistiu de reproduzir a sua história. Para preservar seu caráter individual, único, solitário, imprimiu ele próprio um único exemplar escrito em francês que fez circular pela Europa. Ao editá-lo no Brasil em milhares de cópias os editores traíram os ideaias de Achou. Uma traição dupla, já que a própria tradução é também uma traição. Para o Nobel de Literatura de 2002, Imre Kertész, assim como Auschwitz assinala a morte de Deus, a circulação de Seremos zero trouxe a libertação do homem que agora pode dizer que dirige o próprio destino. Estamos condenados a ser zeros, diria Haikel. Seremos zero, enfim, trata do ego moderno e da experiência única e individual de cada indivíduo. Um existencialismo que encolhe até explodir em algo novo. Pode ser lido também como um livro sobre a coragem: a coragem de ser nada.

Trechos:

“E Haikel quis esquecer sua língua, pois sua língua era sua identidade. A extrema liberdade surgida desse esquecimento causou culpa em Haikel que a essa altura nem pensava em si mesmo como Haikel.. ” (Pág. 17)

“(…) Haikel se sentia (…) perdido (…) cada vez menos reconhecível (…) isso era o que sentia” (Pág. 56)

“Veio, veio, veio, uma palavra, pela noite veio, queria brilhar no cerebrozinho de Haikel, uma faisquinha diminuta, uma coisinha de nada.”  (Pág. 59)

“Tu te escondestes em mim, pequeno Haikel, disse a palavrinha com os olhinhos de fogo.” (Pág. 86)

“Haikel caminhava na neve preocupado com o destino daquele corpo que já não sentia como seu. Ao negar tudo, pensou, estava conquistando tudo. Era um Napoleão do nada. Um príncipe do coisa-nenhuma, o Imperador de Tudo o Que Não existe.” (Pág. 99)

Tradução: Thiago Reis Mello.

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Publicado em 30/07/2012 por .
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