Livros que você precisa ler

Sobre o que conversam os acentos?

ConversamAcentos (1)

Sobre o que conversam os acentos? – 1982 – Ed. Maipú.

Pi García

Uruguai/Romênia

(1940-2002)

Mais conhecido pelos seus estudos de parapsicologia no Uruguai onde nasceu e na Romênia onde viveu boa parte da vida, Pi García foi também ficcionista e escreveu este Sobre o que conversam os acentos? A narrativa em primeira pessoa mimetiza o que sucede ao protagonista: um tal Ernesto Glastenberg tem um sentimento constante de que teve uma perna amputada. O personagem, assim como o autor, é um especialista em psicometria, escritor (escreve um livro sobre o polonês Stefan Ossowiecki) e bibliófilo que lê o que não está contido nas páginas do livro. Com a palma da mão consegue perceber os sentimentos dos autores enquanto escreviam suas obras. Glastenberg é, assim, um superleitor que passa a investigar a dor dos outros escritores através da sua habilidade com o intuito de descobrir mais sobre o seu sentimento de amputação. Para isso percorre bibliotecas como as de Montevideo, a de Cluj-Napoca e a de Timișoara. Essa busca torna-se o fio condutor do livro. Através de frases cortadas ao meio e separações silábicas que permeiam todo o texto Pi García narra a sua história e nos convida sempre a ler o livro de maneira diferente, com outros olhos. Com este artifício os livros passam a ser narradores que contestam o narrador inicial e aos poucos o leitor percebe que o que era digressão, memória, imaginação e pura paranoia são leituras paralelas do mesmo mundo. O desenlace final de Sobre o que conversam os acentos?  parece querer nos dizer, assim como os livros “lidos” pelo protagonista, que a vida vale também pelo não vivido. Uma fogueira de eloquência selvagem. O crítico Julian Cardoni afirma ainda que “Pi García é como Kafka: um tipo de Funes, o memorioso, que lembra de tudo na história da humanidade. Para frente ou para trás”.

Trechos:

“O pavor terminou depois que. Não pude deixar de me fascinar com a ideia de.”

“O psicômetra recolherá do seu sub-consciente, a exemplo da abelha e da aranha que do suco das flores retiram o mel e o veneno, as impressões e senti-mentos com que foram gravados, no livro, a própria vida.”

“- E então? Se…”

“Gravar em um objeto a própria vida é se a-pegar, em demasia, aos bens materiais, mas sendo este bem material a única vida pos-sível.”

Tradução: Tito Silveira.

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Publicado em 17/10/2012 por .
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