Livros que você precisa ler

O procedimento Illyakhov

O-Procedimento-Illyakhov-Capa

Jarno Lumme

O procedimento Illyakhov – 1986 – Ed. Limite.

Finlândia/Itália

(1936-2007)

Um homem está sentado dentro de uma câmera hermeticamente fechada e sem mobília alguma com exceção de uma mesa e de uma cadeira feitas de madeira e pintadas de branco. Todos as paredes estão pintadas de branco. O homem tem a cabeça raspada e está nu. Só fala russo e recebe uma lista de tarefas em russo, mas recebe fichas com nomes em hebraico e cartões com figuras desenhadas por um proeminente artista soviético. Fora da sala há uma multidão de falantes de hebraico apenas. O homem deve relacionar as figuras nos cartões (homem, mulher, Deus, morte, dor) aos seus nomes em hebraico. As instruções que o homem recebe em papelotes previamente distribuídos pela mesa orientam como combinar as palavras e as figuras. As instruções estão em russo apenas. Ao combinar as figuras de acordo com as instruções o homem cria uma história. Ao criar uma história o homem torna-se um problema. Uma mulher é introduzida na câmara. Ela está nua e fala italiano e russo. Ela deve repetir o procedimento. Mas dessa vez em pé e com instruções em russo e italiano. Quem é o criador? O homem que fala russo ou os homens que falam hebraico? A mulher que fala russo e italiano? Essa fictícia experiência conduzida pelo fictício cientista soviético Piotr Illyakhov nos anos setenta é o tema deste livro de Jarno Lumme, escritor finlandês radicado na cidade italiana de Livorno. O romance escrito na União Soviética, onde Lumme morava no começo dos anos oitenta, só foi publicado na Rússia após a glasnost. O Brasil teve mais sorte e por aqui a sua primeira edição já saiu em 1986, direta do italiano. Escrito numa prosa rigorosa, quase científica, O procedimento Illyakhov parece ser uma grande metáfora sobre a existência de Deus e da linguagem. É um livro forjado no mais estranho humor, que embala, acima de tudo, a incompreensibilidade da existência. Da existência humana. Da existência divina. É uma espécie de romance de formação da humanidade. É um manual sobre o aprendizado de regras da ficção e sua subversão.

Trechos:

“A porta deve abrir lentamente e depois uma segunda porta deve ser aberta revelando o piso inteiramente branco. Mais adiante está a câmara hermeticamente fechada, como um corpo.” (Pág. 47)

“Cada homem é um dado inicial, uma entrada, uma palavra em um livro.” (Pág. 87)

“Uma mulher que fala apenas grego olha a planta do complexo. É uma simples folha branca com desenhos. Mas, ao mesmo tempo, possui entradas em uma língua desconhecida.” (Pág. 117)

“Homem e a figura do homem. A mulher e a figura da mulher. A morte e uma figura que representasse a morte.” (Pág. 192)

Tradução: Gaspar Macatrozzo.

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Publicado em 22/04/2013 por .
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