Livros que você precisa ler

Tudo é grande demais para a pobre medida da nossa pele

Tudo é grande demais Capa

Zoltan Meszaros

Tudo é grande demais para a pobre medida da nossa pele – 2013 – Ed. Mata-borrão.

Hungria

(1980)

Durante a Ditadura Orban na Hungria um homem de nome Zsigmond é preso por criar escaravelhos. Ele cria, alimenta, cataloga e escreve anotações minuciosas sobre a vida de cada um dos besouros e depois os solta para que sigam suas próprias vidas. Esse é Árvore de cachorros, o livro de estreia de Meszaros, uma fábula sobre a escrita e a vida do escritor. Mas foi com Tudo é grande demais para a pobre medida da nossa pele que Zoltan se tornou conhecido. Trata-se de um livro sobre um homem e uma mulher (Colomano e Judit) que criam um idioma completamente novo para se comunicar entre si. Quando dissessem Eu te amo, seria a primeira vez que alguém diria eu te amo naquela língua. Quando falassem na morte seria a primeira vez alguém falava na morta com aquele som. Um idioma completamente novo a não ser pela presença da palavra francesa déséspére (“a mais bela das palavras”): três vogais idênticas encolhidas com punhais sobre suas cabeças e um pai escondido. Esse novo idioma se equivaleria ao amor entre eles e às suas próprias vidas, já que o idioma morreria quando eles morressem. A história da construção desse idioma, que é dizer o mesmo que a história dessas vidas e desse amor, é a história desse livro. A eficácia satírica de Meszaros o transformou em uma figura venerada em Budapeste, dono de um humor pulsante, próximo, muitas vezes, do jocoso disparate, sempre finíssimo e às vezes definitivamente poético. Hoje, Meszaros trabalha no Hotel Kálvin Ház na capital húngara e prepara um longo ensaio sobre o sabonete e a passagem do tempo.

Trechos:

“É o é, uma fila deles, agachados com punhais sobre suas cabeças, apertados contra esses sempre serpenteando sigilosamente, dizendo a única coisa que se pode dizer nesse momento.” (Pág. 34)

“Eu agora passo a ser Myat e Tu passas a ser Ya, para que tu possas conter em mim.” (Pág.58)

“Não quero uma vida parêntesis.” (Pág. 63)

“Morreremos em breve. E a nossa verdade morrerá conosco e ninguém saberá que um dia existiu, pois não deixaremos dicionários, essas caixinhas onde a língua putrefa.” (Pág. 69)

“Por que me acolheste a mim como imagem cotidiana, por que acolheste a minha língua na tua língua, por que o que dissermos um ao outro nunca foi dito e nunca poderá ser repetido.” (Pág. 87)

“A mais bela ideia é a ideia que não existe, a mais bela palavra é a palavra que não existe.” (Pág. 116)

Tradutor: Rodrigo Rosa Portella.

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Um comentário em “Tudo é grande demais para a pobre medida da nossa pele

  1. silvia
    25/07/2014

    olá! vocês sabem onde esse livro está disponível para comprar no Brasil?

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Publicado em 25/06/2013 por .
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