Livros que você precisa ler

A feira de quinquilharias

feira

Fernan Mordello

A feira das quinquilharias – 2013 – Ed. Maipú.

Uruguai

(1970)

Davi é um jovem uruguaio de classe média, igual a todos os outros, se não fosse o fato de ter acordado um dia com o braço esquerdo da sua ex-mulher, Norah, no lugar do seu. Norah é uma jovem uruguaia de classe média, igual a todas as outras, se não fosse o fato de ter acordado um dia com o braço direito do seu ex-marido, Davi, no lugar do seu. O braço esquerdo de Davi agora tem a pele mais morena e possui os dedos mais alongados. O braço direito de Norah agora tem dedos mais curtos e uma mão mais áspera. Davi é um escritor que fica obcecado com um vídeo no Youtube  que mostra uma mulher nua boiando numa correnteza e sendo tragada pelas cataratas do Niágara. A ideia de escrever um longo ensaio sobre o suicídio torna-se uma grande obsessão para Davi. Torna-se, na verdade, a única maneira de fazer com que ele não se suicide depois da separação. Acompanhamos a escritura desse longo ensaio que quase que transcreve em sua totalidade um ensaio de Schopenhauer, que por sua vez, cita Plínio: Vitam quidem non adeo expetendam censemus, ut quoque modo trahenda sit. Quisquis es talis, aeque moriere, etiam cum obscoenus vixeris, aut nefandus. Quapropter hoc primum quisque in remediis animi sui habeat: ex omnibus bonis, quae homini tribuit natura, nullum melius esse tempestiva morte: idque in ea optimum, quod illam sibi quisque praestare poterit. A feira de quinquilharias conta essa história insólita de maneira suprarrealista, descreve o declínio físico e emocional de um casal que tenta se resignar enquanto se separa e tem os seus momentos de desespero. Realista, cínico, selvagem e cômico, esse romance contém uma vigorosa relação de simpatia e antipatia pela espécie humana. O livro tenta capturar o lento e constante sentir da perda e o deslocamento causado pela separação.

Trechos:

“O ciúme tem cem bocas.” (Pág. 13)

“Um braço mal colocado; como um ponto e vírgula.” (Pág. 56)

“Entre os hindus e árabes, como se sabe, o suicídio aparece como um ato religioso. O ocidente ainda não descobriu o poder do suicídio. Não como forma de conseguir uma recompensa espiritual ou como um ato de terror, mas como uma luta contra o próprio ato impensado e irracional da criação.” (Pág. 67)

“O suicídio é o ascetismo da alma.” (Pág. 89)

“Nossa alma, e também o nosso cérebro, é uma loja de quinquilharias.E este braço já não me serve, não me atrevo a controlá-lo.” (Pág. 122)

“O criador é irracional, nos criou como quinquilahareias, peças mas encaixadas, peças faltando e trocadas.”

Tradução: Antonio Marcos Pereira.

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Publicado em 12/03/2014 por .
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